terça-feira, 6 de setembro de 2011

E então, que quereis? - Neylor e Leandro (Banda Influência)


Link para download:
1.averdadeirainfluencia-e-entao-que-quereis.mp3
Em meados de 2001, em Campo Mourão, começa-se surgir mais um "movimento" nos eventos da cidade. Que até então estavam atrelados aos bailes gauchos nos clubes periféricos e nos arredores, que muitas aproveitavam a sinergia para oferecer música eletrônica e, também, as próprias "danceterias" periféricas ou centrais, além de festas promovidas em colégios por empresas chamadas comumentemente de "som eletrônico". Além de, é claro, os bailes sociais nos clubes centrais ou festas particulares como casamentos, formaturas, etc. E, também, grandes eventos em datas comemorativas como o aniversário da cidade no Parque de exposições, Carnavais de Salão e até, festas de rock´in roll em chácaras afastadas da cidade, onde rolavam, geralmente, músicas dos anos 1950-60-70 e, esporadicamente, repertórios com músicas dos anos 1980 (o dito Rock Brasileiro);

É deste último exemplo que surge o "movimento" supracitado no início do último parágrafo. Pois estas festas de Rock, que outrora eram feitas em lugares "mais afastados" e tinham um público bem direcionado, com músicos altamente influenciados pela cultura estrangeira começam a entrar na cidade em algumas Casas de Shows. Cito aqui uma casa chamada Café com Letras, circunvizinha da faculdade pública da cidade (Fecilcam). O que de certa forma, vinculava seu público ao público "universitário" da cidade. Este "movimento" teve seus "altos" principalmente com uma Banda chamada THC que me seu repertório trabalhava os grandes clássicos do rock.

Nesse interlúdio, no final da década de 1990 e começo dos anos 10 houve na cidade, com certesa algo proporcionado por um modelo de fora pra dentro, uma "moda" voltada às pessoas subirem ao palco para cantar, isto é, o Karaokê que aqui é representado também por uma "casa": o Manhatans, onde as pessoas se juntavam para cantar e recebiam notas de um programa de computador sobre seu desempenho/performance. O que também tomou lugar em outros lugares e outras festas. É interessante observar este fato pois este será importante para entendermos o processo de "democratização" (se é que dá pra chamá-lo assim!) da música da cidade e da região, o que, em minha opinião, dá a base para os trabalhos acústicos "que não enfatizam a afinação, técnica e timbres" e que fizeram tanto sucesso a nível regional e depois até nacional.

Voltando ao nosso assunto, isto é, num contexto de casas de rock e casas de karaokê ressurge uma casa voltada a um repertório de música brasileira em Campo Mourão. Porque digo "ressurge"? Exatamente porque antes houve lugares que privilegiaram este repertório no final dos anos 1980 e início dos anos 1990. (Bares como: Talento, Coração de Melão, Dallas Bar, Caipirol, Texas Bar, etc.) mas que não tinham o mesmo público e nem o mesmo formato, pois se tratavam de casas muito voltadas à boemia e à nostalgia nas canções. E este que comenta-se aqui afigurasse mais aos barzinhos de MPB das maiores cidades do Estado.

O interessante é que não foi algo planejado para ser o principal produto desta casa nova e sim uma maneira de oferecer algo a mais para os clientes que surge novamente o MPB em Campo Mourão com uma equipe que posteriormente se chamaria de Banda Influência.


sexta-feira, 11 de março de 2011

Pré-projeto de mestrado - orientações - Conversa com o professor (20): COMENTÁRIOS SOBRE O TEXTO: "EPISTOMOLOGIA DA ANÁLISE DO DISCURSO NO TURISMO", de Luzia Coriolano (Professora da Universidade Estadual do Ceará - UECE).

O turismo é situado como opção para o desenvolvimento dos países, estados e municípios e esta superestimação de seu desempenho criou falsas expectativas, pois o turismo, que por si só não oferece possibilidade de solução dos problemas, não tem condições de desenvolver regiões pobres, nem de distribuir riqueza do Pais (essa visão distribtivista é uma visão política; como estudo das contradições, a autora não vai aos fundamentos da produção. Falar em distribuição, é falar em mercado; a contradição não está no mercado, mas na produção _ proprietários e não proprietários do capital _ embora a mais valia só se realize completamente na circulação. Observe que o senso comum tudo avalia em termos de mercado, por força da visão difundida pela indústria cultural, que camufla a produção ocmo fundamento da dominação. Isso, como você sabe, são fundamentos da teoria marxista.)

[...] fez foi apresentar problemas, mesmo quando passou a ser tratado como política, porque é produzido para acumulação capitalista e não para atender as necessidades básicas do trabalhador. Transforma o espaço local em mercadoria global.

O espaço que já havia sido valorizado por outras atividades capitalistas, inclusive para o veraneio, passou a ser revalorizado ao nível do mercado global (a autora continua referindo-se ao mercado, mesmo depois de mencionar a acumulação e ampliação do capital),ou seja, dá outra dimensão ao processo de valorização dessa mercadoria.

É por esta razão que o custo de vida fica mais caro para  todos nas comunidades receptoras sacrificando mais ainda os residentes (esta é a maior deformação técnica cometida pela autora, até aqui, dar destaque ao custo de vida "caro", que não é uma categoria científica de análise marxista, como são suas fontes. Se ela tivesse apresentado com vigor os fundamentos sócio-econômicos da divisão e dominação de classes, tudo bem, neste caso o encarecimento do custo de vida cai bem como efeito das condições estruturais da sociedade fundada na propriedade. Não li o texto todo, mas certamente, a autora vai dar conta dos conceitos que estão nas fontes que ela consultou, especialmente Lefebvre e Baktin, que são marxistas. Observe, que a autora está incorrendo no "não dito", exemplo de que a ciência oculta ou, como a própria autora diz, acima, há outro discurso que não o dela.)


Pré-projeto de mestrado - orientações - Conversa com o professor (19): COMENTÁRIOS SOBRE O TEXTO: "EPISTOMOLOGIA DA ANÁLISE DO DISCURSO NO TURISMO", de Luzia Coriolano (Professora da Universidade Estadual do Ceará - UECE).

Esses valores são os que dão sentido à vida, aqueles pelos quais se aceita arriscar o essencial.
A audiência dos depoimentos de autores sociais, realizada em algumas comunidades cearences, a respeito das concepções sobre o desenvolvimento de suas comunidades e acerca do turismo local, inscreve-se no eixo das três escutas de Barbier, e significa a forma de tomar consciência e de inferir do pesquisador que adota a lógica da abordagem transversal.

A escuta sensível do pesquisador passa por essa técnica da abordagem transversal, foge do instituído, trabalha a sensibilidade e a condição humana na dimensão dialética da criação, gerando uma coerência no processo de análise. A informação chega interpretada em primeira mão, provém do sujeito que fala e o analista procura encontrar na interpretação desse sujeito o sentido, submetendo sua análise a uma segunda interpretação.

Busca-se compreender como o objeto simbólico produz sentido, passando pela análise ideológica. Orlandi (2000, p. 74) distingue o real e o imaginário como princípio básico da análise do discurso, dizendo que o que temos, em termos de real do discurso, é a descontinuidade, a dispersão, a incompletude, a falta, o equívoco, a contradição, constitutiva tanto do sujeito como do sentido.

De outro lado, em nível das representações, temos a unidade, a completude, a coerência, o claro e a não contradição, na instância do imaginário. É por essa articulação necessária que o discurso funciona. É também dessa natureza a distinção (relação necessária) entre o discuso e o texto, sujeito e autor.

A autora argumenta que não basta falar para ser autor, pois a autoria implica uma inserção do sujeito na cultura e uma posição no contexto ideológico social (observe como a autora aproxima-se dos fundamentos sócio-econômicos, históricos). Por conseguinte, as mesmas palavras podem ter significados diferentes e representam a alteridade por excelência, ou seja, o outro com toda sua historicidade.

Isso explica os vários discursos os vários discursos sobre o turismo e seu desenvolvimento. Na palavra, está o contido, o não-dito (o não-dito) ou o implícito, o pressuposto, o subentendido e até o silêncio. Orlandi (2000, p. 83) "distingue o silêncio fundador (que faz com que o dizer signifique) e o silenciamento ou política do silêncio (novamente) que, por sua vez pode ser um silêncio constitutivo, pois uma palavra apaga outras palavras e o silêncio local que é a censura, aquilo que é proibido dizer em uma certa conjuntura."

O discurso em torno dos lugares e do turismo é um repertório polêmico, no qual o referente é disputado pelos interessados, numa relação tensa de alterações de sentidos, configurando-se como uma prática de resistência e afrontamento.

Daí por que para uns, interessa o discurso do turismo degradados e para outros o turismo desenvolvimentista. Ao dizer, significa-se o homem e significa-se o próprio mundo ao mesmo tempo, ou seja, a realidade constitui-se nos sentidos que o homem dá na posição de sujeito e exercício social. Dessa maneira, a linguagem é uma prática, não apenas no sentido de efetuar atos, mas aquela de dar sentido, de intervir no real.

A análise dos depoimentos, dos discursos de atores sociais, dos documentos realizados neste trabalho teve como base estudos de Geraldi (2003), de Bakhtin (2002), de Ribeiro & Garcez (1998), de Brandão (1998), de Orlandi (2000), de Bardin (1997) que entendem o discurso como a palavra em movimento e a mediação necessária entre o homem e a realidade.

Pode-se tomar como objeto de análise discursos, artigos, textos de jornais, entrevistas, depoimentos de natureza diversa; algumas são peças do planejamento governamental, práticas empresáriais e depoimentos de líderes comunitários.


continua...

sábado, 5 de março de 2011

Pré-projeto de mestrado - orientações - Conversa com o professor (18): COMENTÁRIOS SOBRE O TEXTO: "EPISTOMOLOGIA DA ANÁLISE DO DISCURSO NO TURISMO", de Luzia Coriolano (Professora da Universidade Estadual do Ceará - UECE).

Na análise do discurso, o imaginário, os signos, as imagens são produzidas de forma
relacionada com o modo como as relações sociais se inscrevem na história e são regidas
por meio de relações de poder. O discurso revela as representações e ideologias,
permeadas pela linguagem que são também temporais.

"Tudo que é ideológico possui significado e remete a algo situado fora de si
mesmo, tudo que é ideológico é um signo" (BAKHTIN, 2002, p. 31). No turismo,
assim como em outras atividades, se repete de forma ideológica o que se pensa, ou seja,
o sentido que se dá aos fatos é determinado por posições ideológicas. Daí, para uns, o turismo
ser uma panacéia e, para outros, comparável a um furacão devastados.

As palavras carregam sentido nelas mesmas _ o cognitivo _ mas também dependem do contexto
em que inscrevem _ o denotativo. Por isso, na linguagem, as palavras iguais podem ter significados
diferentes, pois se inscrevem em formações discursivas dessemelhantes. O desenvolvimento econômico,
os lugares e o turismo, para variados grupos e pessoas  (aqui, a autora começa a tocar nos fundamentos da divisão social: a propriedade; porém, afasta-se da dialética histórico-crítica, como a de Baktin, ao usar o termo "pessoas de renda alta", "segmentos de classe pobre ou
de baixa renda"; é uma deformação do conceito de classes proprietárias, classes dominantes), possuem distintos significados.

Quando pessoas de renda alta (?) concebem a qualidade de vida e a sustentabilidade,
emprestam a esses conceitos sentidos desiguais em relação aos que lhe são atribuídos pelos
segmentos de classe pobre ou de baixa renda (?)

Um dos pontos fortes da análise do discurso é a ressignificação dos conceitos. Não há sentido
sem interpretação, mas, lembra Orlandi (2000, p. 46) "nesse movimento da interpretação o sentido
parece-nos como evidência, como se ele estivesse já sempre lá. Interpreta-se e ao mesmo tempo nega-se
a interpretação, colocando-a no grau zero. Naturaliza-se o que é produzido na relação do histórico e do simbólico.

Esse apagamento da interpretação produzindo subjetividades é explicado na teoria materialista através da
produção de uma teoria não subjetiva da subjetividade, na qual se pode trabalhar o efeito de evidência dos sujeitos e dos sentidos, para que a ideologia deixe de ser ocultação, mas uma relação necessária
entre a linguagem e os grupos que se comunicam; desconstruir, para construir novamente.

Para Brandão (1998, p. 12) "o ponto de articulação dos processos ideológicos e dos fenômenos
linguísticos é, portanto, o discurso. E para Foucault o discurso é o espaço em que poder e saber se
articulam, pois quem fala, fala de algum lugar, a partir de um direito reconhecido institucionalmente.

O pesquisador, portanto, faz escutas para ouvir depoimentos, como ensina Orlandi (2000, p.59):
"ouvir para lá das evidências e compreender acolhendo, a opacidade da linguagem, a determinação dos sentidos pela história, a constituição do sujeito pela ideologia e pelo inconsciente, fazendo espaço para
o possível, para a singularidade, a ruptura, a resistência".

Essas são condições para sua interpretação. René Barbier (1998) remete essa análise à escuta
sensível que consiste no aguçamento da sensibilidade do pesquisador par asaber ouvir e,
mais que isso, saber escutar colocando-se na posição do outro. Distingue três tipos de oitivas:
científica-clínica que é própria da pesquisaação; a poético-existencial, aquela escuta que leva em conta
os fenômenos imprevistos resultantes da ação das minorias e do que há de específico num grupo
de indivíduos; e a espiritual-filosófica, a ouvida dos valores últimos que atuam no sujeito, isto é,
no indivíduo e no grupo.

continua...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Pré-projeto de mestrado - orientações - Conversa com o professor (17): COMENTÁRIOS SOBRE O TEXTO: "EPISTOMOLOGIA DA ANÁLISE DO DISCURSO NO TURISMO", de Luzia Coriolano (Professora da Universidade Estadual do Ceará - UECE).

As instituições
caracterizam-se por discursos. O turismo tem
um discurso próprio. São os representantes dos governos, dos empresários e
das comunidades que o formulam. Produzem-se os discursos para o controle
da sociedade ou dos próprios sujeitos e como leciona Prof. Wanderley Geraldi (2003),
se há necessidade de controle, é porque há descontroles. (observe que, até aqui, a autora
não tocou na questão de propriedade).
Também se pode atribuir a necessidade do controle à emergência dos conflitos e à
vontade de dominação. (o discurso oficial, do governo federal, nos PCNs/Arte, fala em dominação, mas não toca na questão de propriedade. São categorias que não se confundem,
embora interconectadas. Esse tipo de discurso esconde a divisão social em classes de proprietários e não proprietários).
Identifica-se quem discursa, de onde, a qual instituição pertence o curso? Quais
os deslocamentos institucionais? Que resultados produzem? Que tese os discursos
defendem? Quais as contradições inseridas nos discursos, falas e ações? Que realidades
produzem? Os discursos não são únicos, embora algumas ideologias tentem aproximá-los.
Faz-se necessário identificar o que foi dito.  (Leandro, observe este procedimento metodológico,
em torno do "dito" e o "não dito", que oculta; isto é próprio da ideologia), e suas diferenças, as relações e interações dos discursos, em uma dada realidade social. As ideologias são discursos para esconder, mas propõe-se a ser um discurso para desvendar, compreender as lacunas, caso contrário,
cairia no positivismo.

Os lugares, o desenvolvimento regional e o turismo possuem significados, diretrizes, objetivos,
discursos e políticas variadas. Orlandi (2000, p. 16) lembra que os estudos discursivos visam pensar o sentido dimensionado no tempo e no espaço das práticas do homem, descentralizando a noção do sujeito, relativizando a autonomia do objeto da linguística. Não trabalha com a lingua fechada nela mesma, mas com o discurso que é um objeto sóciohistórico em que o linguístico intervém apenas como pressuposto.

Procurar compreender como o turismo (Leandro, se você substituir a palavra turismo por arte, você chega a reflexões interessantes, arte como mercadoria, como a produção da música sertaneja ao tecnobrega, e os discursos oficiais do PCNs/Arte, fundações culturais, secretarias e conselhos municipais da cultura, etc.etc.) produz significados e sentidos, como está investido de significância para os sujeitos. As atividades turísticas produzidas por governos, empresários e comunidade anfitriãs contêm mensagens a serem decodificadas e sentidos que os pesquisadores precisam aprender.
A análise do discurso propõe-se a construir escutas que permitam levar em conta esses efeitos e explicar a relação desse saber com a realidade, uma análise que não se aprende, não se ensina, mas que produz seus efeitos. "Essa nova prática de leitura - a discursiva consiste em considerar o que é dito em um discurso e o que é dito em outro, o que é dito de um modo e o que é dito de outro, procurando escutar o  não-dito (aqui o não-dito) naquilo que é dito, com ouma presença de uma ausência necessária" (ORLANDI, 2000, p. 34).